domingo

Treinadores unidos pelo Rio



A ideia era reunir os técnicos de Botafogo, Flamengo e Fluminense para que falassem sobre suas expectativas em relação ao Brasileirão. Mas Parreira mirava em outro objetivo, e talvez por isso tenha sido o primeiro a chegar ao ponto de encontro, em São Conrado:

“Deixa eu tocar no campeão para pegar esses bons fluidos”, disse, segurando a mão de Cuca. “Ou será que vocês vão me deixar fora dessa foto só porque eu não cheguei à final do Estadual?”, insistiu, puxando também Ney Franco para a pose.

Cuca aproveitou o ombro daqueles que normalmente são seus adversários, para um desabafo há anos entalado na garganta: “Foi bom ter ganho esse título para a imprensa parar de pegar no meu pé. Aquilo era muito chato”.
Papo vai, papo vem, o mineiro Ney Franco dedicou seus últimos minutos livres para ouvir de Parreira histórias de seus 20 e tantos anos de Barra da Tijuca. E, por falar em Barra, que tal o futebol carioca no Brasileirão?

Para Cuca, os times do Rio têm chances. Ney Franco rebaixa os cariocas a um terceiro plano, entre as equipes que considera favoritas. E Parreira, com os pés bem fincados na grama, é ainda mais pessimista em relação ao seu Tricolor, resistindo a incluí-lo no patamar dos melhores, enquanto não chegarem reforços. A não ser que o toque em Cuca tenha lhe rendido bons fluidos. O Brasileirão está aí. O tempo dirá.

OS FAVORITOS AO TÍTULO?

Ney Franco — “Se a gente fizer um ranqueamento levando em consideração a estrutura e o elenco de cada clube, acho que o Internacional leva vantagem. O Cruzeiro também tem ótimo elenco. E o São Paulo tem o tricampeonato como prova de que há três anos sua forma de jogar está dando certo. Essas três equipes estão um degrau acima das outras. Depois, vem o Palmeiras. E, a seguir, há um nivelamento entre Flamengo, Corinthians, Botafogo, Atlético-MG, Grêmio e Santos”.

Parreira — “Essas previsões sempre falham, mas considero que Cruzeiro, Internacional, Corinthians, Palmeiras e São Paulo saem na frente. Mas, veja bem, há outros times, como o Atlético-PR, que fez bons jogos na Copa do Brasil contra o Corinthians; o Santos, e, também, o Flamengo. E por que não o Botafogo? Só posso incluir o Fluminense nessa lista se a gente conseguir dois ou três reforços. O time está muito inexperiente para uma competição como essa”.

Cuca — “Os mais tradicionais têm mais chances. É só olhar os últimos campeonatos. As forças serão as mesmas. Mas é complicado falar em favoritos, pois chega a hora daquela janela e o time que está forte já deixa de ser forte. É um divisor de águas. De qualquer forma, não se pode deixar nunca fora de uma lista o Grêmio, o Atlético-MG, o São Paulo, o Santos, o Palmeiras, o Corinthians e os clubes do Rio”.

O CRAQUE

Ney Franco — “Há muitos candidatos: Ronaldo, Adriano, Fred, Keirrison, Nilmar, Kleber (Cruzeiro) e Maicosuel. E acho que o Victor Simões tem chance de brigar pela artilharia”.

PARREIRA — “O Neymar. Ele é um fenômeno, um talento. Mas pode ser que sinta a pressão, como aconteceu com o Keirrison, que vinha bem e deu uma caidinha. E, quem sabe o Ronaldo?”

Cuca — “Eu teria de escolher pelo menos um de cada time. Fred, Adriano, Ramires, Keirrison, Ronaldo... Neymar, Kléber (Cruzeiro)... Os alas do Flamengo e o Kléberson também não podem ficar fora...”

AS DIFICULDADES DO RIO

Ney Franco — “O problema é estrutural. Os clubes precisam de um centro de treinamento para tomar uma série de cuidados com seu atleta. Num CT com vários campos de futebol, é possível fazer um trabalho mais individualizado, mais específico de acordo com as necessidades de cada um. A questão dos salários atrasados também atrapalha”.

Parreira — “O Flamengo é o time mais encorpado. O que atrapalha o futebol do Rio é a dificuldade financeira dos clubes na hora de formar uma grande equipe. O Fluminense está numa fase de transição. Veja só: um clube como o Flu não deveria ter só um lateral-esquerdo. E eu só tenho o João Paulo. Sem receita, fica difícil. Não sei o que seria do Fluminense sem a Unimed. Temos o patrocínio, mas mesmo assim os gastos são altos”.

Cuca — “A questão nem é só de estrutura. Não adianta nada ter estrutura e não receber o salário em dia ou não ter um bom time. O ideal é ter estrutura, bom time e salário. Mas vejo os clubes do Rio com chance de brigar pelo título. Dos oito finalistas da Copa do Brasil, três são cariocas. O Botafogo só foi eliminado porque se preocupava mais com o Campeonato Estadual”.

TORCIDA PELO VASCO

Ney Franco — “Torci para que o Vasco não caísse. E, agora, torço para que suba. Admiro o Dorival Júnior e espero que faça um trabalho semelhante ao que o Corinthians desenvolveu na Série B”.

Parreira — “Torço muito e não estou falando da boca pra fora, não. Já passei por isso. Mas acho que o Vasco vai subir. O trabalho está sendo bem conduzido. Não ter vencido o Campeonato Estadual não significa nada. A obrigação sempre foi a volta para seu devido lugar, a elite. Se apenas um ou dois subissem, seria mais difícil. Mas sobem quatro. O Vasco vai conseguir”.

Cuca — “Como posso querer que um time grande como o Vasco permaneça fora da elite? Somos profissionais, vivemos disso e precisamos de campo para trabalhar. Além disso, o treinador do Vasco é meu irmão. Não vou torcer contra ele. Agora, quando eu era torcedor, queria ver sempre os adversários do meu time por baixo. Na minha modesta opinião, está na hora de caírem somente dois times para a Série B”.

[O Dia]

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