quarta-feira

Bruno Paulo encanta torcida, marias-chuteiras e recebe marcação cerrada


Promessa do Flamengo revela que perdeu vários treinos nas divisões de base porque não tinha dinheiro para o transporte

Bruno Paulo participou apenas de dois jogos, ambos entrando no segundo tempo. Foi o suficiente para abrir os olhos dos torcedores. Mas não só deles. Ao lado da namorada, Jeniffer, a promessa do Flamengo, de 19 anos, sente os primeiros “efeitos colaterais” da ascensão ao time profissional. E não tem nada a ver com a força dos zagueiros adversários.

- Foi tudo bem mais rápido do que pensei, mas está tranquilo. Só que tem muita maria-chuteira em cima e minha namorada está chata. Não me deixa nem entrar mais no orkut – lamentou o jogador.

Nascido e criado no Centro de Niterói, o atacante (“É assim que prefiro jogar”, informou) passou por percalços nas divisões de base. Diariamente, precisava de R$ 12 para ir e voltar do clube. Por isso faltou várias e várias vezes às atividades.
- Era brabo. Perdi muitos treinos por falta de dinheiro. Mas nunca pensei em desistir porque acreditava no meu potencial. Minha mãe (Esther) sempre me incentivou e dava um jeito de pagar o transporte – disse.

Bruno Paulo jogava no Canto do Rio e chegou ao Flamengo em 2000, indicado pelo técnico Anthony. Ficou no futsal até 2002. Quando subiu ao Infantil, logo recebeu um apelido: Ronaldinho. Para quem conhece o clube, logo lembra da fama de superestimar as promessas da base. Não é o caso.

- Até hoje não sei o porquê deste apelido. E pior que os meninos que colocaram nem estão mais no clube – afirmou, sem esconder a timidez pela “responsabilidade".

Nas divisões de base, Bruno assistiu a Camacho e Erick Flores serem “puxados” para os profissionais. Achou que sua vez nunca fosse chegar. Mas há nove dias, quando estava em Belo Horizonte com os juniores, apareceu a convocação para ficar no banco de reservas contra o Barueri. Apesar do empate, a atuação dele foi elogiada. Domingo, novamente entrou no segundo tempo e cruzou a bola para o gol que garantiu a primeira vitória na história em jogos oficiais contra o Santos, na Vila Belmiro.

- Não caiu a ficha estar ao lado do Adriano, por exemplo. Fiquei meio triste quando vi vários amigos subirem e minha vez não chegar. Mas fiquei na minha. Agora chegou a hora – disse Bruno Paulo.

Com a nova arma no banco de reservas, o Flamengo enfrenta o Atlético-MG, nesta quinta-feira, às 21h (de Brasília), no Maracanã.

GE

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