sábado

Juan suspenso por 30 dias



Lateral rubro-negro paga por atitude contra Maicosuel e fica um mês fora no Brasileiro


A “bronca” em Maicosuel, ex-Botafogo, na primeira partida das finais do Campeonato Carioca, trouxe prejuízo ao lateral-esquerdo do Flamengo, Juan. Após dois adiamentos, finalmente o jogador rubro-negro foi julgado, na noite de ontem,, no Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD/RJ). O resultado: suspensão por 30 dias na denúncia de ameaça, por maioria de votos. Quanto à outra infração a que respondeu - atitude contrária à moral e à disciplina -, o jogador conseguiu a absolvição. O departamento jurídico do clube irá recorrer da decisão e pedir efeito suspensivo, mas, como não há expediente no Tribunal no final de semana, Juan já está fora do jogo deste domingo, dia 24, contra o Santo André. A sessão da Segunda Comissão Disciplinar teve início às 17h e foi transmitida em tempo real pelo Justicadesportiva.com.br.

O lateral foi denunciado em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): o 278 (ameaçar alguém, por palavra, escrito ou, gestos ou por qualquer outro meio, causar-lhe mal injusto ou grave), que pode suspender de 30 a 120 dias; e o 258 (assumir atitude contrária à disciplina ou à moral desportiva), que tem como pena suspensão de uma a dez partidas.

O jogador teve de se retratar por conta do lance em que se envolveu com o meia Maicosuel, na primeira partida da decisão do Campeonato Carioca, quando foi driblado e não gostou da atitude do botafoguense. Ele acabou colocando o dedo em riste na face do adversário e levou apenas cartão amarelo do árbitro Rodrigo Nunes Sá.

Ambos os jogadores compareceram ao tribunal para prestar esclarecimentos. Perguntado sobre o que teria dito ao ex-jogador do Botafogo, Juan contou que pediu para que ele parasse de fazer "gracinha", e que proferiu alguns palavrões: "coisas normais do futebol". Sobre a possibilidade de ter dito alguma palavra de cunho racista, o jogador do Flamengo negou.

Juan disse que talvez tenha exagerado no lance, mas ressalta que isso acontece a todo momento nas partidas de futebol. "Talvez pelo ato de ter me abaixado e ter ficado próximo a ele, pode ter dado a entender que foi algo muito exagerado", comentou. Indagado sobre o que quis dizer com "parar de gracinha", o lateral rubro-negro contou que, no seu entender, Maicosuel deveria parar de dar dribles de efeito, jogadas essas que, no seu entendimento, não visariam ao gol.

O advogado do Flamengo, Michel Asseff Filho, por sua vez, pediu a desclassificação da infração para ato de hostilidade, sob a alegação de que o artigo que trata de ameaça não é previsto para jogadores, e sim para outros agentes envolvidos no espetáculo. No entanto, não foi atendido pelos auditores.

Maicosuel não alivia

Ao contrário de declarações anteriores, durante o seu depoimento no tribunal, Maicosuel não aliviou o colega de profissão. Indagado pelo relator sobre o que tinha sido dito a ele por Juan, falou que não se lembrava de tudo, mas que se recordava da seguinte frase, logo após sentir um dedo em suas costas: "olha aqui, seu filho da ..., se você fizer graça de novo, vou te pegar". Sobre o que aconteceu após o lance em questão, o ex-jogador do Botafogo disse que "chegou a turma do deixa disso" e que cada um foi para o seu lado, mas viu que o rubro-negro ainda disse algo do tipo "vem de novo", quando se levantou.

Em seguida, o advogado do Fla perguntou se esse tipo de ameaça é comum no futebol, e o meio-campista confirmou, porém, destacou que a atitude de se agachar sobre um atleta adversário não é normal.

Arbitragem absolvida

Além de Juan, a Procuradoria do TJD/RJ denunciou o árbitro Rodrigo Nunes Sá e o assistente Eduardo de Souza Couto, que também foram julgados no mesmo processo. Eles acabaram absolvidos; o primeiro, de forma unânime, e o segundo, por maioria de votos. Ambos foram denunciados no artigo 266 (deixar de relatar as ocorrências disciplinares da partida) do CBJD por Juan ter sido punido somente com o cartão amarelo no lance em questão.

Perguntado se viu ou ouviu o que aconteceu após a marcação da falta, o árbitro disse que foi surpreendido em casa, quando viu o videotape. "Após a marcação da falta, só vi o Juan se abaixando, não vi o dedo em riste e nem pude ver ele dizendo algo para o atleta do Botafogo. Achei que ele estivesse pedindo para o Maicosuel levantar para dar prosseguimento ao lance".

[JD]

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