sábado

'Projeto do futebol-empresa sequer foi votado', diz Márcio



Presidente licenciado do Fla critica falta de vontade política no clube


Faz pouco mais de dois anos que o projeto de tornar o futebol do Flamengo uma sociedade empresarial foi engavetado na Gávea. Por falta de vontade política, sequer entrou em votação no Conselho Deliberativo, motivo de lamento do presidente licenciado, Márcio Braga, que teme, em suas palavras, "não ver o clube pronto para enfrentar os desafios do século XXI". No 61º dia de recuperação de uma cirurgia no coração, Márcio Braga é um dos poucos no clube que comunga da mesma ideia do ídolo Leonardo, que vê na mudança de gestão, primeiramente do futebol, e depois do restante do clube, a salvação do Flamengo.
- Propus a transformação, juntamente com a reforma institucional, mas não foi pra frente - disse Márcio. - E não foi porque as pessoas não querem, não acreditam que foi esse modelo que levou o Flamengo à falência. Sem poder concorrer no mercado, o Fla vai acabar.
Kléber Leite sai em defesa
do departamento de futebol
Márcio, no entanto, discorda da visão de Leonardo quando este fala que a mudança tem de ser radical, principalmente no que diz respeito às pessoas que estarão à frente do novo modelo. O dirigente do Milan não vê futuro se as atuais lideranças rubro-negras estiverem na direção da sociedade empresarial, como sócios majoritários da holding.
- Teríamos uma sociedade empresarial administrada por profissionais, é o que eu e o Leonardo queremos. Agora, a sociedade vai pertencer ao Fla, não vamos criá-la e entregar na mão de terceiros - advertiu o presidente.
Presidente em exercício, Delair Dumbrosck até admite que o futebol, pelo volume de interesses e a receita que gera, deveria funcionar como uma empresa, mas, assim como Márcio Braga, que fique em posse dos sócios-proprietários do Flamengo:
- São eles que têm de definir os destinos do clube.
O dirigente lembrou que tem discurso afinado com o de Leonardo, com quem chegou a conversar quando foi candidato a presidente, mas não necessariamente concorda com a visão generalizada do ex-lateral sobre os problemas e as pessoas que, há décadas, estão à frente do clube.
- A gestão pode ter à frente um presidente voluntário como eu, o Márcio, o Juvenal Juvêncio, do São Paulo, e correr bem, ou um profissional e acabar mal - disse. - O Barcelona é um clube associativo como o Flamengo. Não deve ter a mesma gestão, mas caminha bem - completou.
O vice de futebol, Kléber Leite, limitou-se a comentar um trecho da entrevista de Leonardo ao GLOBO, no qual ele diz que "o Flamengo está na mão de uma estrutura viciada, de gente que vive daquilo, de empresário que ganha com venda de jogador":.
- Eu e Plínio (Serpa Pinto), do departamento de futebol, somos amadores, nada recebemos e nada queremos. O clube não paga nem o nosso refrigerante.
Leonardo Ribeiro, presidente do Conselho Fiscal, é contra a venda do futebol:
- Esses dirigentes sucatearam o Flamengo e agora querem chamar o Leonardo para dar a solução.

[O Globo-Fábio Juppa]

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