sexta-feira

Mesmo envergonhado do amadorismo do clube, Felipe Melo sonha voltar ao Fla



Novo titular de Dunga relembra com carinho início de carreira na Gávea, mas lamenta caos administrativo constante no Rubro-Negro



Da corrida desordenada e enlouquecida após o gol marcado contra o Internacional que salvou o rebaixamento do Flamengo para a segunda divisão no Brasileirão de 2001 à sobriedade e seriedade que o levaram a vestir a camisa da seleção brasileira em 2009, Felipe Melo viveu oito anos de amadurecimento evidente. Daquela época, pouca coisa restou. O garoto de 17 anos virou homem. O meia ofensivo virou volante. O Rio de Janeiro deu lugar a Florença... Intocáveis, no entanto, seguem as cores predominantes em seu coração: o vermelho e o preto.

Rubro-negro fanático, o camisa 5 de Dunga conversou com o GLOBOESPORTE.COM antes mesmo do gol marcado diante do Peru, nesta quarta-feira, no Beira-Rio, em Porto Alegre, pelas eliminatórias para Copa de 2010. Na pauta, seleção brasileira, futebol europeu, mas principalmente os poucos menos de 18 meses em que viveu como profissional na Gávea. Período em que teve a euforia de um gol decisivo e sofreu meses de salários atrasados.

- No Flamengo, julgam comum não pagar a quem trabalhou. A administração é amadora – desabafou, para logo depois revelar que no futuro espera “voltar, sim” a vestir a camisa rubro-negra.

Confira toda a entrevista:

Vendo o sucesso que está tendo hoje, consolidado na Europa e ganhando espaço na seleção, fica alguma ponta de frustração por não ter tido tempo de mostrar seu futebol e ser reconhecido pela torcida do Flamengo?

Não me sinto frustrado. Com 17 anos, fiz muito pelo Flamengo. Fui artilheiro do time na Libertadores, com quatro gols, e ainda tirei o clube do rebaixamento (NR: marcou o gol da vitória contra o Internacional no Brasileirão de 2001). Saí, pois adquiri na Justiça esse direito. Estava começando e não poderia me dar o luxo de ficar cinco meses sem receber.

Dá para dizer o que deu "errado" em seu período entre os profissionais? Até que ponto toda a fama pelo gol contra o Inter e a campanha ruim na Libertadores influenciaram para isso?

Não acho que tenha dado errado, mas eu era um garoto, de 17 anos, e com a responsabilidade de atuar no Flamengo como meia, lateral, volante e o que fosse preciso. Eu me orgulho de ter marcado o gol que salvou o Flamengo da segunda divisão logo na minha primeira partida como profissional. Errada mesmo é a prática que os diretores do Flamengo julgam comum de não pagar a quem trabalhou. Eu, flamenguista desde criancinha, sinto vergonha em ver o time de maior torcida do Brasil não conseguir, sequer, arcar com a folha salarial.

Você projeta um retorno ao clube ainda como jogador? Acompanha o Flamengo da Itália? Vê os jogos, mantém contato com amigos do clube...

Não tenho mais amigos atuando no clube. Espero voltar, sim, e acompanho tudo. Assisto aos jogos, leio, torço e comemoro gols. No Brasil, sou rubro-negro declarado e tenho simpatia pelo Corinthians. Esta semana pedi a um amigo, comum a um jogador do Corinthians, que pedisse a esse jogador uma camisa do clube para minha coleção.

De uma leva de jogadores de meio-campo da base do Flamengo, você até certo ponto era o menos badalado em uma trinca que tinha também Ibson e Jônatas. Qual foi o diferencial para mudar essa situação? As experiências adquiridas em momentos tão distintos na Gávea, no Cruzeiro e no Grêmio foram fundamentais?

No Flamengo surgi como meia e não como volante. O diferencial na minha carreira aconteceu com a maturidade e com a obediência tática que aprendi a ter no futebol europeu.

Olhando para a seleção atual, vemos você, o Julio César, o Adriano e o Juan (não convocado por estar lesionado). Todos de gerações próximas no Flamengo e todos que deixaram o clube praticamente a custo zero. Isso exemplifica bem a razão do clube viver eternamente em "crise"? Como você vê toda essa situação?

A administração do Flamengo é amadora. Pergunte ao Zico, que é uma pessoa séria e do bem, se ele seria técnico ou presidente do Flamengo com a gestão que lá está.

Por fim, como foi esse processo de recuo de um meia que fazia papel de volante para o volante marcador e eficiente que conquistou o Dunga?

Aprendi a marcar no futebol europeu e devo a algumas pessoas de fora do país que me educaram taticamente. Comecei a jogar como volante no Almería, em 2006. Fiz um bom papel, e as boas atuações despertaram o interesse da Fiorentina. No futebol italiano consolidei meu nome na equipe e sou tratado como ídolo em Florença. Ganhei uma chance que espero abraçar. Meu sonho é disputar uma Copa do Mundo. Sou uma pessoa determinada e espero realizar esse sonho.

[GE]

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