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Clássico dos centavos: duelo entre Fla e Vasco pode ser o único do ano



Contas a pagar não faltam na vida de Vasco e Flamengo. O bolso anda vazio, as receitas ainda são incertas e o futuro financeiro assusta. Mas antes eles precisam acertar a dívida com a torcida no clássico deste domingo, às 18h, no Maracanã, que pode ser o único encontro entre os clubes este ano. Com dívidas em torno dos R$ 300 milhões, salários atrasados e diretorias à beira do caos, os jogadores entram em campo conscientes de que o sucesso dentro das quatro linhas pode ajudar a aliviar a situação do clube com seus muitos credores.

Fora da diretoria oficialmente, mas ainda um importante colaborador do Flamengo, o ex-vice-presidente financeiro José Carlos Dias sabe de cor e salteado os dramas e soluções do clube. Só no ano passado, a diretoria deixou de pagar R$ 6 milhões à Receita Federal, o que impede a assinatura do contrato de patrocínio com a Petrobras. Segundo ele, a meta deve ser a arrecadação de R$ 150 milhões para o pagamento de R$ 120 milhões em despesas.

– O clube teve um superávit de R$ 10 milhões nos últimos cinco anos e não deu. Precisa de R$ 30 milhões para manter os compromissos em dia e equacionar as dívidas – disse José Carlos Dias. – É preciso fazer como no ano passado e dividir o ano em trimestres. Trabalhar com as receitas dessa forma, pois 70% delas são comprometidas no acordo com o TRT e várias penhoras. O problema deste ano é que vários contratos importantes ainda não foram definidos.

O ex-dirigente se refere aos contratos com a Petrobras e o fornecedor esportivo, para o qual foi aberta uma licitação em que o valor mínimo será de R$ 20,6 milhões, oferecido pela Olympikus. Mesma situação vive o Vasco à espera do acerto com a Eletrobrás, por causa da falta da Certidão Negativa de Débito.

– O grande problema do Vasco é o passivo muito alto. Uma bola de neve das administrações passadas, que só foi aumentando com o tempo. Temos um déficit mensal alto e precisaríamos de R$ 4,5 milhões por mês para vivermos com tranqüilidade – explicou José Hamilton Mandarino, vice-presidente de futebol do Vasco. – Temos uma grande dificuldade que foi a queda da receita da TV de R$ 21 milhões em 2008 para R$ 10,5 milhões em 2009 por causa do rebaixamento.

O Vasco hoje trabalha com a cabeça em projetos de marketing, inclusive para resgatar antigos sócios e atrair outros. Tenta se espelhar, inclusive, no caso Ronaldo e Corinthians, que conseguiu fechar um contrato com a Batavo de R$ 18 milhões por um ano.

– Mas se a gente recebesse esses R$ 10 milhões que perdemos da TV e os R$ 14 milhões da Eletrobras, seria outro clube – afirmou Mandarino, que tenta contornar uma crise com funcionários reclamando de até quatro meses de atraso de salários.

Para resolver situações emergenciais e contornar a insatisfação com os dois meses de atraso de salários dos jogadores, o Flamengo conseguiu um empréstimo de R$ 10 milhões, graças à participação de José Carlos Dias. Mas ele, na verdade, não colocou seu patrimônio como garantia.

– Tenho uma boa relação com instituições financeiras. A garantia na verdade é o contrato com a TV – explicou o ex-dirigente.

[JB]

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